Júnior Misaki retorna ao “Pode Conversar” e revela, ao vivo, capa e detalhes do livro “A Galinha Rafinha”

 




Fonte: Pode Conversar | Podcast 


O escritor, professor e artista Júnior Misaki participou na última sexta-feira, 20 de fevereiro, às 19h, do podcast Pode Conversar, apresentado por Francisco, em um episódio marcado por revelações, memória afetiva e um debate direto sobre literatura infantil, educação e o impacto das redes sociais na formação das crianças. Recebido pela segunda vez no programa, Misaki falou sobre a própria trajetória entre a sala de aula e o palco, explicando que hoje está mais dedicado ao trabalho artístico por estar afastado das atividades regulares de docência enquanto realiza o doutorado em Letras na Universidade de Passo Fundo (UPF). Ainda assim, reforçou que as duas dimensões se complementam: a experiência como educador influencia a escrita e, ao mesmo tempo, a arte funciona como um “escape” criativo, capaz de trazer o público para o universo do imaginário, da ludicidade e da emoção.

Durante a conversa, o convidado também comentou a diferença entre o nome artístico e o nome de registro, apontando que, como artista, assume uma persona pública que exige postura de palco, linguagem própria e outra energia, enquanto o “José Jerônimo”, como se referiu ao nome civil, é quem vive as rotinas comuns e enfrenta as responsabilidades do dia a dia. Ao aprofundar o tema da produção literária, Misaki explicou que escrever para crianças não é simplificar a literatura, mas encontrar um contorno técnico e narrativo capaz de conquistar um público exigente e sincero. Para ele, a criança entende temas complexos e sensíveis, desde que sejam tratados com responsabilidade e cuidado, e o adulto precisa reconhecer as fases da infância antes de expor os pequenos a conteúdos inadequados. Nesse ponto, o episódio abordou preocupações atuais sobre o acesso precoce a redes sociais, jogos e músicas com linguagem imprópria, além da necessidade de acompanhamento familiar e mediação pedagógica, especialmente num cenário em que celulares e tablets se tornaram portas abertas para todo tipo de informação.

Misaki também discutiu como a literatura infantil e juvenil ainda enfrenta preconceitos, inclusive dentro do próprio meio literário, por ser muitas vezes tratada como entretenimento “menor”. Ele contestou essa visão e defendeu que qualidade não se mede pelo número de páginas, lembrando que obras ilustradas e narrativas visuais podem carregar mensagens profundas e relevantes. Ao relembrar o início da carreira como escritor, contou que, no começo, sentia receio de se assumir como autor, justamente por uma imagem distante e “elitizada” que muita gente ainda atribui à figura do escritor. Com o retorno do público e a identificação de leitores de diferentes idades, disse ter percebido a importância da produção local e regional, reforçada pela internet, que amplia o alcance do trabalho para além da cidade.

Um dos momentos mais emocionantes da entrevista foi quando o artista falou sobre “Natal do Moleque do Beiral”, obra que aborda exclusão social e pertencimento a partir da vivência de uma periferia sertaneja de Patos. Misaki explicou que o livro não é autobiográfico, mas reúne memórias e referências reais do território, retratando uma criança que sonha com um futuro melhor apesar das dificuldades e do desestímulo ao redor. O autor relatou que, apesar do receio de como o público receberia um tema mais sensível, a obra acabou gerando forte identificação, inclusive com crianças que se reconheceram na narrativa por meio de histórias parecidas vividas por pais e familiares.

A entrevista também trouxe bastidores sobre o projeto “A Galinha Rafinha”, que transforma em literatura infantil e música um episódio marcante do imaginário local. Misaki detalhou o processo criativo e contou que a canção foi lançada no mesmo dia do programa, com distribuição nas plataformas digitais. Ao falar sobre o livro, previsto para lançamento em 21 de março, ele explicou que trabalhou a história de forma lúdica e cuidadosa, especialmente ao lidar com a ideia de perda e luto para o público infantil. Em um trecho exclusivo, Misaki abriu ao vivo uma caixa recém-chegada da gráfica e mostrou, pela primeira vez em público, a capa e páginas internas do livro “A Galinha Rafinha”, em um gesto que empolgou a audiência e reforçou o caráter “de primeira mão” da participação no Pode Conversar. O autor ainda informou que o lançamento será no Patos Shopping, com proposta mais voltada para as crianças, incluindo pocket show e sessão de autógrafos, além de parcerias de venda em pontos físicos e online após a data oficial.


Outro ponto de destaque foi o debate sobre inteligência artificial no campo cultural. Misaki reconheceu que ferramentas como IA podem auxiliar em tarefas técnicas, planejamento e divulgação, mas alertou para o risco de a tecnologia virar “bengala” e substituir a essência autoral. Para ele, o enredo e o sentimento humano seguem como núcleo insubstituível da criação, e a arte precisa manter identidade e alma, principalmente quando o público é infantil.



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